Início » Sete Lagoas lidera transparência na região, mas índice revela um abismo entre as cidades
Política Sete Lagoas

Sete Lagoas lidera transparência na região, mas índice revela um abismo entre as cidades

Município chega a 83,4 pontos e alcança nível “ótimo” no ITGP 2026; enquanto Sete Lagoas e Paraopeba avançam, oito cidades permanecem na faixa considerada “ruim”.

A região de Sete Lagoas melhorou sua pontuação em transparência e governança pública pelo terceiro ano consecutivo, mas o novo levantamento do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) revela que o avanço ainda está longe de ser uniforme.

A fotografia de 2026 mostra duas realidades distintas. De um lado, Sete Lagoas alcançou 83,4 pontos e entrou pela primeira vez na faixa “ótima”. De outro, oito dos dez municípios avaliados continuam classificados como “ruins”. Entre o primeiro e o último colocado existe uma diferença de 60,6 pontos.

O ranking elaborado pelo Observatório Social do Brasil – Sete Lagoas, com metodologia da Transparência Internacional – Brasil, coloca Sete Lagoas em primeiro lugar, seguida por Paraopeba, com 65,3 pontos. Santana de Pirapama aparece em terceiro, com 37,7, seguida por Cachoeira da Prata, com 36,0.

Na outra extremidade, Fortuna de Minas fecha a lista, com apenas 22,8 pontos.

O resultado deixa uma questão central para o debate público: o avanço da transparência está se tornando uma política permanente de governo ou ainda depende da disposição de cada administração municipal?

O salto de Sete Lagoas

O desempenho de Sete Lagoas é o principal destaque da edição de 2026.

O município passou de 67,5 pontos em 2025 para 83,4 pontos, um crescimento de 15,9 pontos. Em termos proporcionais, a evolução foi de aproximadamente 23,6% em um ano.

Na avaliação anterior, Sete Lagoas já ocupava a liderança regional, mas estava na categoria “bom”. Agora, ultrapassou a barreira dos 80 pontos e alcançou o nível “ótimo”.

O resultado também amplia a distância em relação às demais cidades. A segunda colocada, Paraopeba, marcou 65,3 pontos — 18,1 pontos abaixo de Sete Lagoas.

Mais do que uma diferença numérica, o contraste revela que os municípios estão avançando em velocidades muito diferentes.

A região melhorou — mas continua “ruim”

A média dos dez municípios chegou a 37,7 pontos, contra 29,7 na avaliação anterior. O ganho foi de 8 pontos, equivalente a aproximadamente 26,9%.

Apesar da evolução, a média regional permanece na classificação “ruim”.

A situação é particularmente reveladora porque a melhora regional é fortemente influenciada pelo desempenho de suas duas líderes. Sete Lagoas e Paraopeba avançaram para patamares considerados “ótimo” e “bom”, respectivamente, enquanto as outras oito cidades continuam abaixo dos 40 pontos.

Isso significa que o crescimento da média não representa, necessariamente, uma transformação estrutural da região.

É um avanço real, mas concentrado.

A série publicada pela Transparência Internacional – Brasil confirma que, na avaliação de 2025, Sete Lagoas havia registrado 67,5 pontos e Paraopeba 47,4, enquanto a média regional era de 29,7 pontos.

O paradoxo: sites funcionando, leis que não acompanham

O dado mais preocupante do levantamento está justamente onde deveria existir a sustentação institucional da transparência.

A dimensão Plataformas alcançou média regional de 72,2 pontos, classificada como “boa”. Já a dimensão Legal despencou para apenas 16,5 pontos, nível “péssimo”.

O contraste é difícil de ignorar.

Os municípios conseguem manter portais, sites, ouvidorias e instrumentos digitais de acesso à informação, mas apresentam dificuldades muito maiores quando a questão é estabelecer e cumprir regras permanentes de transparência, integridade e controle.

Em outras palavras: há uma vitrine digital, mas falta uma estrutura normativa suficientemente sólida por trás dela.

A própria metodologia do ITGP considera seis dimensões: Legal; Plataformas; Administrativo e Governança; Obras Públicas; Transparência Financeira e Orçamentária; e Comunicação, Engajamento e Participação. Os indicadores possuem pesos próprios e são combinados para formar a nota final de cada município.

Obras públicas: onde o dinheiro precisa ser rastreado

Entre as áreas analisadas, Obras Públicas merece atenção especial.

A média regional avançou de 6,4 pontos em 2024 para 30,4 pontos em 2026. É uma evolução expressiva, mas insuficiente para tirar a região da classificação “ruim”.

O problema é relevante porque obras concentram grandes volumes de recursos públicos e envolvem uma cadeia de informações que permite ao cidadão acompanhar se aquilo que foi contratado está, de fato, sendo executado.

Em Sete Lagoas, a dimensão Obras Públicas alcançou 59,1 pontos.

Paraopeba também apresentou evolução significativa, saindo da pontuação zero registrada anteriormente para 50 pontos.

Mas o quadro regional permanece desigual. Baldim registrou zero nessa dimensão, enquanto Santana de Pirapama, Funilândia, Caetanópolis e Fortuna de Minas permaneceram abaixo dos 30 pontos.

O levantamento chama atenção para informações como custos, medições, localização, fotografias e andamento das obras. Quando esses dados não estão disponíveis, o cidadão perde uma das ferramentas mais importantes para fiscalizar a aplicação dos impostos.

A preocupação não é apenas burocrática. Sem informações públicas, torna-se muito mais difícil responder perguntas simples: quanto foi contratado? Quanto já foi pago? Quanto falta? Quem fiscaliza? A obra está atrasada? O que foi efetivamente entregue?

Plataformas digitais são o ponto forte

Se existe uma área em que os municípios avaliados demonstram capacidade de avanço, ela é a das plataformas digitais.

A região atingiu 72,2 pontos nessa dimensão.

Sete Lagoas foi o grande destaque, alcançando 100 pontos. Paraopeba chegou a 94,7 e Santana de Pirapama a 85,5.

O resultado demonstra que as prefeituras já dispõem de uma infraestrutura capaz de facilitar o acesso do cidadão às informações públicas.

O desafio agora é fazer com que essa estrutura não seja apenas uma porta de entrada para informações, mas uma ferramenta efetiva de controle social.

A Transparência Internacional – Brasil explica que o ITGP justamente procura avaliar mecanismos concretos de transparência, participação e abertura de dados públicos, e não a qualidade dos serviços prestados pelas prefeituras.

O ranking das dez cidades

A classificação de 2026 mostra uma divisão bastante clara:

1º — Sete Lagoas: 83,4 pontos — Ótimo
2º — Paraopeba: 65,3 pontos — Bom
3º — Santana de Pirapama: 37,7 pontos — Ruim
4º — Cachoeira da Prata: 36,0 pontos — Ruim
5º — Inhaúma: 30,9 pontos — Ruim
6º — Jequitibá: 29,4 pontos — Ruim
7º — Funilândia: 24,8 pontos — Ruim
8º — Baldim: 23,8 pontos — Ruim
9º — Caetanópolis: 23,0 pontos — Ruim
10º — Fortuna de Minas: 22,8 pontos — Ruim

O ranking também revela que apenas 20% dos municípios avaliados atingiram níveis “bom” ou “ótimo”.

Os outros 80% permanecem abaixo dos 40 pontos.

O que os números dizem — e o que eles não dizem

É importante destacar que o ITGP não pretende dizer se uma prefeitura presta um serviço público bom ou ruim.

O índice mede a existência e a disponibilidade de mecanismos de transparência, governança e participação social.

Por isso, uma prefeitura pode ter bons serviços públicos e apresentar deficiências em transparência — e também pode ter um portal sofisticado sem necessariamente apresentar uma gestão eficiente.

O que o levantamento permite medir é outra coisa: quanto o cidadão consegue saber sobre aquilo que o poder público está fazendo.

E esse acesso é fundamental para que a sociedade possa fiscalizar contratos, obras, despesas, receitas, licitações e decisões administrativas.

A pergunta que fica

O ITGP 2026 apresenta um avanço importante para Sete Lagoas e Paraopeba, mas também lança um alerta para toda a região.

A transparência não deveria ser uma corrida anual para melhorar uma nota. Deveria ser uma política permanente de Estado.

O salto de Sete Lagoas demonstra que é possível mudar rapidamente de patamar. O desempenho de Paraopeba mostra que cidades de menor porte também podem avançar. Ao mesmo tempo, a permanência de oito municípios na faixa “ruim” indica que ainda existe um longo caminho a percorrer.

O dado mais simbólico talvez esteja na diferença entre 83,4 pontos e 22,8 pontos.

De um lado, uma cidade que alcançou o nível “ótimo”. Do outro, um município que permanece próximo da faixa “péssima”.

Entre os dois extremos estão milhares de cidadãos que têm o mesmo direito: saber como o dinheiro público é arrecadado, administrado e aplicado.

A transparência, portanto, não é apenas uma questão de tecnologia. É uma questão de democracia.

E o resultado de 2026 deixa um recado claro: quando a informação pública aparece, o cidadão ganha instrumentos para fiscalizar. Quando ela desaparece, o controle social também desaparece.

Sobre o levantamento

O Índice de Transparência e Governança Pública é desenvolvido pela Transparência Internacional – Brasil e aplicado por organizações da sociedade civil em diferentes regiões do país. A avaliação municipal considera 71 indicadores distribuídos em seis dimensões e atribui notas de zero a 100. A classificação vai de “péssimo” a “ótimo”.

O Observatório Social do Brasil – Sete Lagoas atua como organização da sociedade civil no monitoramento da aplicação dos recursos públicos e na promoção do controle social.

Fonte dos dados de 2026: Observatório Social do Brasil – Sete Lagoas / Transparência Internacional – Brasil.

Observação: o release de 2026 encaminhado à imprensa informa explicitamente, para Sete Lagoas, as pontuações de 100 pontos em Plataformas, 59,1 em Obras Públicas e 83,4 na avaliação geral. As demais pontuações específicas por dimensão do município não aparecem no material fornecido; por isso, não foram estimadas ou destacadas nesta reportagem.

Revista Fanzini

Fanzini.com.br é sua revista eletrônica que aborda temas essenciais para o seu dia a dia.
Com uma ampla gama de conteúdos, desde Life Style, Saúde e Moda até Cultura, Educação, Beleza, Empreendedorismo e Música.
Garantimos que sempre haverá algo interessante para você!

Comentar

clique para comentar

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE