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Sete Lagoas e Paraopeba mantêm liderança em transparência, mas ritmo de avanço regional desacelera no terceiro ano de avaliação

O ranking é liderado por Sete Lagoas (1º), seguida de Paraopeba (2º), Santana de Pirapama (3º), Cachoeira da Prata (4º), Inhaúma (5º), Jequitibá (6º), Funilândia (7º), Baldim (8º), Caetanópolis (9º) e Fortuna de Minas (10º); avanço tímido da região ainda dificulta a vida do cidadão que busca transparência no uso do dinheiro público.

  MUNICÍPIO AVALIAÇÃO DESEMPENHO
Sete Lagoas 83,4 pontos Ótimo
Paraopeba 65,3 pontos Bom
Santana de Pirapama 37,7 pontos Ruim
Cachoeira da Prata 36,0 pontos Ruim
Inhaúma 30,9 pontos Ruim
Jequitibá 29,4 pontos Ruim
Funilândia 24,8 pontos Ruim
Baldim 23,8 pontos Ruim
Caetanópolis 23,0 pontos Ruim
10º Fortuna de Minas 22,8 pontos Ruim

Sete Lagoas/MG, 25 de agosto de 2026 – As prefeituras da Região de Sete Lagoas atingiram média de 37,7 pontos (de 100) no Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP), divulgado hoje pelo OSB-Sete Lagoas. Aplicado a partir de metodologia da Transparência Internacional – Brasil, o levantamento avaliou 10 municípios e confirmou a estagnação da região no patamar “ruim”.

O resultado expõe um abismo de 60,6 pontos entre os extremos: apenas Sete Lagoas alcançou o nível “ótimo” (83,4 pontos) e Paraopeba o nível “bom” (65,3 pontos), enquanto as outras oito cidades amargaram desempenhos “ruins”, com Fortuna de Minas no último lugar (22,8 pontos).

O levantamento revela que o gargalo regional não é tecnológico, mas regulatório. Embora a infraestrutura digital se destaque na dimensão Plataformas (72,2 pontos / nível “bom”) — puxada por sites, ouvidorias e diários oficiais —, a dimensão Legal despencou para escassos 16,5 pontos (nível “péssimo”).

Para a análise, são utilizados exclusivamente portais oficiais para medir a disponibilidade e organização dos dados públicos, sem avaliar a qualidade dos serviços prestados.

Evolução desde 2024

O monitoramento do OSB-7L, que acompanha a transparência local pelo terceiro ano consecutivo, mostra avanço contínuo na média regional: subiu de críticos 20,6 pontos em 2024 para 29,7 em 2025, atingindo 37,7 nesta edição.

Sete Lagoas e Paraopeba lideram a evolução. O município polo saltou de 67,5 para 83,4 pontos, a maior marca do índice, subindo de “bom” para “ótimo”. Já a vice-líder Paraopeba evoluiu de 47,4 para 65,3 pontos, migrando de “regular” para “bom”.

Na ponta oposta, o cenário exige atenção. Inhaúma estagnou ao oscilar de 32,8 para 30,9 pontos, enquanto Fortuna de Minas registrou o desempenho mais crítico: passou a ocupar a última posição do ranking regional com 22,8 pontos.

“Embora a média regional tenha melhorado, ela ainda continua ‘ruim’. Na prática, o cidadão ainda esbarra na falta de informação ao tentar acompanhar os recursos do posto de saúde ou da escola do bairro. É animador ver alguns avanços, mas não podemos normalizar esse abismo de transparência entre cidades vizinhas. Esperamos que as gestões que ficaram para trás sigam os bons exemplos da região e garantam o efetivo controle social dos recursos públicos”, diz Benjamin Júnior, presidente do Observatório Social do Brasil – Sete Lagoas.

Progresso regional desacelera após salto histórico

Após um salto histórico de 70% em 2024 — saindo de 20,6 para 35,07 pontos —, o ITGP 2026 indica que a região deixou a opacidade extrema, mas agora esbarra na inércia administrativa. O ritmo de reformas desacelerou e o bloco regional segue estagnado na nota “ruim”, a apenas três pontos do nível intermediário.

“Embora tenhamos superado a invisibilidade dos dados públicos, o ritmo desacelerou e ficou abaixo do avanço consistente que esperávamos para este terceiro ano”, ressalta Benjamin Júnior, presidente do OSB-7L.

Para Charles Antunes, coordenador do Observatório, o gargalo é político, não financeiro: “Respeitar o princípio constitucional da publicidade e abrir os dados não exige orçamento extra; o que falta é colocar a transparência como prioridade no dia a dia da gestão”.

Obras públicas: avanço regional, mas com “apagões” locais

Setor que concentra os maiores contratos das prefeituras, a transparência em Obras Públicas evoluiu de meros 6,4 pontos em 2024 para 30,4 pontos nesta edição. O resultado tira a região da faixa “péssima”, mas ainda a mantém no patamar “ruim”. A liderança segue com Sete Lagoas, com 59,1 pontos, enquanto o destaque de evolução foi Paraopeba, que deixou a nota zero para trás e alcançou 50 pontos.

Na contramão dos avanços regionais, Baldim registrou nota zero na dimensão de Obras Públicas, enquanto Santana de Pirapama, Funilândia, Caetanópolis e Fortuna de Minas não ultrapassaram os 30 pontos, com desempenho classificado como ruim.

Diante desse cenário, o OSB-7L alerta que a ausência de informações essenciais — como custos, relatórios de medição, fotos e localização — inviabiliza o acompanhamento cidadão de intervenções urbanas e reformas de postos de saúde, reforçando a urgência da implementação de portais específicos de obras públicas.

Vitrines digitais ativas, vácuo na legislação

O ITGP 2026 expõe um paradoxo: as prefeituras aprenderam a criar sites, mas ainda ignoram a regulamentação de importantes leis. O levantamento escancara o abismo entre o melhor e o pior indicador da região: a dimensão “Plataformas” e a dimensão “Legal”.

Líder absoluta do índice, a área de “Plataformas” — que avalia Portais de Transparência, dados abertos e Ouvidorias — consolidou o melhor desempenho regional. Nove dos dez municípios superaram os 60 pontos, com destaque para Sete Lagoas (100 pontos), Paraopeba (94,7 pontos) e Santana de Pirapama (85,5 pontos).

Em sentido oposto, a dimensão “Legal” vive um apagão regulatório. O indicador, que mede a aprovação de regras essenciais como as leis Anticorrupção, de Acesso à Informação e de Conflito de Interesses, regrediu para 16,5 pontos, amargando o nível “péssimo”.

Na prática, a governança abrange a forma como a prefeitura planeja, toma decisões e presta contas à sociedade. Sem um respaldo legal sólido, esses mecanismos de boa gestão deixam de ser uma obrigação permanente do município e viram mera boa vontade do prefeito de turno.

Seja a voz da sua cidade: faça parte do Observatório Social

O OSB-Sete Lagoas é uma entidade apartidária e sem fins lucrativos que mobiliza a sociedade para acompanhar de perto a aplicação dos recursos públicos. Atuando de forma técnica e preventiva, trabalha para combater o desperdício e garantir que seus impostos se transformem em melhorias reais para a população

A transparência só avança com a participação cidadã. Você pode integrar essa rede atuando como voluntário ou como contribuindo financeiramente. Entre em contato pelo WhatsApp/Telefone: (31) 97146-1357 e faça parte dessa transformação.

Sobre o ITGP e a metodologia

O Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP), desenvolvido pela Transparência Internacional – Brasil, é uma ferramenta aplicada por entidades locais para avaliar a abertura de dados, a boa governança e a participação cidadã nos municípios.

A avaliação consulta dados públicos em portais oficiais, distribuídos em seis dimensões: Legislação, Plataformas, Governança Administrativa, Obras Públicas, Transparência Financeira e Comunicação. O desempenho gera notas de 0 a 100, classificadas entre Péssimo (até 19,9), Ruim (20-39,9), Regular (40-59,9), Bom (60-79,9) e Ótimo (acima de 80). Para assegurar a precisão das análises, todas as prefeituras recebem relatório preliminar e prazo para recursos antes do resultado final.

Onde consultar os resultados

Nota metodológica completa: https://docs.transparenciainternacional.org.br/biblioteca/itgp-executivo-municipal-nota-metodologica-2ed.pdf

 

Informações:

Contato: Fabiana Cristelli, 31 9 7146-1357, setelagoas.coordenacao@osbrasil.org.br

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