Ser pai é descobrir, muitas vezes sem aviso, que o coração passa a bater também fora do peito
É experimentar o medo e a coragem ao mesmo tempo, aprender a proteger sem impedir que os filhos caminhem com as próprias pernas e compreender que, ao longo da vida, ensinar e aprender se tornam movimentos inseparáveis.
Neste Dia dos Pais, a Fanzini reúne histórias que traduzem diferentes faces da paternidade. Há quem tenha enfrentado o medo diante de um filho recém-nascido; quem tenha encontrado nos filhos força para superar uma das maiores dores da vida; quem descubra diariamente que também aprende com eles; e quem transforme a experiência de ser pai em princípios que pretende deixar como legado.
São histórias particulares, mas que carregam sentimentos universais: amor, cuidado, fé, proteção, amizade, saudade, orgulho e gratidão.
MARCO TÚLIO

“Quando achei que deveria ensinar tudo a vocês, eu que aprendo com vocês a cada dia”
Para Marco Túlio, a paternidade é motivo de honra, felicidade e aprendizado permanente.
Pai de Ana Laura e Bernardo, casado com Michelle Cunha, ele reconhece que a chegada dos filhos transformou sua maneira de enxergar a própria vida. Ao falar sobre eles, percebe que não existem palavras suficientes para dimensionar o amor que sente.
“Eu, como pai, me sinto honrado e feliz por Deus ter colocado vocês na minha vida.”
A experiência também lhe ensinou que a relação entre pais e filhos não acontece em uma única direção. Marco Túlio imaginava que teria a missão de ensinar tudo aos filhos, mas descobriu que, na prática, também aprende diariamente com eles.
“Cada choro, cada abraço, cada sorriso sincero” tornou-se parte desse aprendizado.
Sua mensagem para Ana Laura e Bernardo é guiada pela fé: “Amem a Deus sobre todas as coisas e tudo será acrescentado por Ele na vida de vocês.”
Mais do que uma declaração de amor, é um desejo de que os filhos carreguem consigo os princípios que considera essenciais para a vida.
“Amo vocês!”
AUGUSTO CARRARA

“Ser pai é ser parceiro dos sonhos”
Mentor de negócios, Augusto Carrara enxerga a paternidade como uma combinação de amor, responsabilidade, princípios e parceria.
Ele guarda na memória com precisão o momento em que percebeu que sua vida havia mudado para sempre: 19 de março de 2011, às 19h41.
“Lembro como se fosse hoje. Fiquei todo arrepiado e sabia que meu filho estava nascendo naquela hora. Não nasceu apenas um pai, mas um homem disposto a sacrificar tudo em prol da sua família.”
A vida, porém, mostrou a Augusto que algumas das memórias mais marcantes da paternidade não estão necessariamente nos grandes acontecimentos, mas nos pequenos gestos.
Em 2023, durante um período de burnout que o afastou de tudo e o deixou emocionalmente fragilizado, suas filhas encontraram uma maneira simples e carinhosa de fazê-lo sorrir: colaram vários adesivos em seu rosto e depois o encheram de beijos.
“Eu estava muito mal e jogado no sofá. Minhas três filhas colaram vários adesivos no meu rosto e depois me encheram de beijinhos.”
A cena, aparentemente simples, tornou-se uma das lembranças mais emocionantes de sua relação com os filhos.
Dos filhos, Augusto também aprendeu a valorizar o que realmente importa: “A ser feliz com o que realmente importa, não levar nada para o coração e ter a empolgação e energia da primeira vez.”
Entre os valores que deseja transmitir estão a busca pela excelência — traduzida na expressão “2 + 2 = 5”, como convite a sempre fazer algo a mais —, a responsabilidade pelos próprios resultados, a felicidade para aproveitar a jornada e o amor incondicional a Deus e às pessoas.
Quando imagina como gostaria de ser lembrado no futuro, a resposta é uma verdadeira declaração de propósito:
“Um pai amoroso, zeloso, protetor, amigo, parceiro dos sonhos e o cara que deu princípios e valores que fizessem ser bem-sucedidos em todas as áreas da vida.”
BRUNO VILAS BOAS ABREU

“Cuidar, proteger e amar incondicionalmente”
Auditor e advogado, Bruno Vilas Boas Abreu descobriu a transformação da paternidade no instante em que viu a filha pela primeira vez.
Casado com Christiane Lopes Arcanjo e pai de Antonella Arcanjo Vilas Boas, ele descreve aquele momento como um divisor de águas.
“Naquele instante, entendi que minha vida nunca mais seria a mesma.”
A chegada da filha mudou não apenas sua rotina, mas sua maneira de enxergar o mundo. O homem que antes se considerava mais desprendido passou a experimentar uma nova combinação de sentimentos: felicidade, preocupação, responsabilidade e um profundo desejo de cuidar.
“Passei a enxergar o mundo de um jeito diferente e percebi que, dali em diante, tudo o que eu fizesse teria um propósito ainda maior: cuidar, proteger e amar incondicionalmente.”
Para Antonella, Bruno deseja deixar um ensinamento que vai além das palavras: caráter, humildade, coragem e respeito.
“Quero que você saiba que sempre estarei ao seu lado, em todas as fases da vida.”
Ele também deseja que a filha tenha liberdade para sonhar, errar e recomeçar — porque, para ele, a felicidade de um filho está entre os maiores presentes que a paternidade pode proporcionar.
“Nunca tenha medo de sonhar, de errar e de recomeçar.”
E há uma promessa que atravessa todas as fases da vida: “Será amada incondicionalmente, hoje e para sempre.”
JOSÉ GERALDO FERNANDINO

“Filho não existe ex. Filho sempre é e será filho.”
A história de José Geraldo Fernandino com a paternidade começou em meio a um dos momentos mais difíceis de sua vida. Em 1985, no nascimento do primeiro filho, ele viveu a angústia de ver o bebê aspirar líquido amniótico e não chorar após o parto.
Naquele período, os recursos médicos eram mais limitados e a família precisou levar a criança para Belo Horizonte. Vieram dias de sofrimento, insegurança e apreensão. A alta médica chegou em 21 de abril, mesma data em que o Brasil recebeu a notícia da morte do presidente Tancredo Neves.
A experiência marcou profundamente José Geraldo e lhe mostrou, desde os primeiros instantes, a dimensão e a responsabilidade de ser pai.
Anos depois, outra experiência dolorosa aproximaria ainda mais pai e filhos. Após o falecimento da mãe das crianças em um acidente automobilístico, quando os filhos tinham entre 7 e 22 anos, eles encontraram no pai o porto seguro para enfrentar a perda.
“Juntaram travesseiros, cobertas e ‘mudaram’ para o meu quarto. Dormiam todos comigo”, recorda.
Para José Geraldo, a família é uma construção permanente. E não há espaço para diferenças entre os filhos.
“Para pai não existem diferenças ou preferências. Cada um tem uma peculiaridade que o torna único e insubstituível.”
Aos filhos, deixa uma mensagem que resume sua visão sobre os laços familiares: união, respeito e amor. “Mantenham-se unidos, pois a força da união é mais resistente que qualquer dificuldade.”
Pai de Filipe, Flávia, Vanda, Vinícius e Bernardo, frutos de seu casamento com Maria Bernadete Bastos Fernandino, José Geraldo também fala com carinho dos inúmeros “filhos” profissionais que encontrou ao longo da trajetória.
Para todos, recorre a uma frase de O Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
E completa: “Quero que saibam que me orgulho muito de todos vocês e, se tornando pais, sejam exemplo positivo para os filhos.”
Seu legado, segundo ele, passa por três palavras fundamentais: amor, educação e respeito. E por uma certeza: “Família é base de tudo.”
UM AMOR QUE SE TRANSFORMA EM LEGADO
As histórias desses pais têm origens, trajetórias e experiências diferentes. Mas existe algo que as aproxima: a compreensão de que a paternidade não termina quando os filhos crescem.
Ela se transforma.
O cuidado vira conselho. A proteção dá lugar à confiança. Os ensinamentos se tornam valores. As lembranças se transformam em saudade. E os filhos, que um dia precisaram das mãos dos pais para dar os primeiros passos, passam a ser também aqueles que oferecem colo, força e esperança quando a vida exige.
Ser pai é, portanto, deixar marcas que não aparecem em fotografias, mas permanecem na maneira como os filhos enxergam o mundo.
É ensinar pelo exemplo, reconhecer que também se aprende, celebrar conquistas, acolher nos momentos difíceis e permanecer presente mesmo quando a vida muda os caminhos.
Neste Dia dos Pais, mais do que celebrar uma data, estas histórias celebram vínculos.
Porque, no fim, o maior legado de um pai talvez não seja aquilo que ele deixa para os filhos, mas aquilo que deixa dentro deles.
E algumas coisas permanecem para sempre: o amor, os ensinamentos, as lembranças e a certeza de que, para um filho, pai é para a vida inteira.
PAIS QUE COMPARTILHAM SUAS HISTÓRIAS
Marco Túlio
Assessor Parlamentar, pai de Ana Laura e Bernardo. Casado com Michelle Cunha. Compartilha com os filhos uma relação marcada pelo amor, pela fé, pelo aprendizado e pela gratidão.
Augusto Carrara
Mentor de negócios e pai de três filhos: Bernardo, Bela, Mel e Linda. Define-se como um pai amoroso, zeloso, protetor, amigo e parceiro dos sonhos dos filhos.
Bruno Vilas Boas Abreu
Auditor e Advogado, casado com Christiane Lopes Arcanjo e pai de Antonella Arcanjo Vilas Boas. Para ele, a paternidade representa cuidado, proteção, amor e a construção de valores.
José Geraldo Fernandino
Consultor de Empresas, pai de Filipe, Flávia, Vanda, Vinícius e Bernardo. Foi casado com Maria Bernadete Bastos Fernandino. Também considera como “filhos” profissionais muitas das pessoas que fizeram parte de sua trajetória.
Dia dos Pais | Revista Fanzini
Histórias de amor, memória, aprendizado e legado que celebram a força dos vínculos entre pais e filhos.
08 de agosto de 2026





















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