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Belo Horizonte Cultura

Exposição Joaquín Torres García – 150 anos segue em cartaz no CCBB BH

A exposição Joaquín Torres García – 150 anos, a mais abrangente já realizada no Brasil sobre um dos principais nomes da arte moderna latino-americana, segue em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH). Idealizada pelo curador Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García, a mostra reúne mais de 400 obras, entre pinturas, desenhos, objetos, manuscritos e documentos históricos, além de trabalhos de mais de uma centena de artistas brasileiros e estrangeiros que estabelecem diálogos com o legado do artista uruguaio. 

A mostra está instalada nas Galerias do 3º Andar e no Pátio do CCBB BH. A entrada é gratuita mediante retirada de ingresso pelo site ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do CCBB BH.

Joaquín Torres García – 150 anos evidencia diálogos entre Torres García e importantes artistas brasileiros modernos e contemporâneos, revelando aproximações formais, conceituais e simbólicas que atravessam diferentes gerações e linguagens artísticas. Saulo di Tarso explica que cada cidade amplia as possibilidades de leitura da exposição. “A mostra se redesenha e procura incorporar a participação de artistas locais. Essa transformação museográfica que é implementada em cada cidade busca atualizar a presença de Torres García junto a artistas de grande potência no cenário contemporâneo”, destaca o curador.

Nesse sentido, a montagem em Belo Horizonte apresenta novas obras de artistas como Advânio Lessa e Randolpho Lamonier, que evidenciam a relevância da produção regional e reforçam o caráter singular da temporada mineira. “Cada cidade transforma a exposição em uma experiência diferente. Em Belo Horizonte, buscamos evidenciar as conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura mineira, mostrando como sua obra continua dialogando com questões de identidade, pertencimento e criação coletiva. O Sul, para ele, nunca foi apenas um lugar no mapa, mas uma forma de compreender o mundo”, afirma.

A exposição que aporta na capital mineira ganha um recorte curatorial próprio. Assim, se em Brasília o percurso privilegiava as relações entre arte, arquitetura e espaço público, em Belo Horizonte o foco recai nas conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura de Minas Gerais. A proposta reafirma uma das ideias centrais do artista, de que o Sul não é apenas uma posição geográfica, mas uma perspectiva ética, estética e cultural diante do mundo. Neste tema, uma das inclusões que destacam os debates decoloniais e enriquecem o diálogo são mapas históricos dos séculos XVII e XVIII de Pieter Goos e Jodocus Hondius, por exemplo, colocados nesta etapa da itinerância. 

Reconhecido internacionalmente, Joaquín Torres García é apresentado sob uma perspectiva que ultrapassa sua iconografia mais conhecida. O percurso destaca sua contribuição para aproximar as experiências das vanguardas europeias das culturas latino-americanas, e também evidencia seu pioneirismo na criação do Universalismo construtivo – escola artística que deixou um legado importantíssimo com o grupo Taller Torres García, que buscava uma linguagem criada a partir de formas universais, simples e geométricas, aliado a referências culturais próprias da América Latina, e que permanece atual nos debates sobre identidade, pertencimento e autonomia cultural.

Entre os destaques da exposição está a obra “América Invertida”, uma das imagens mais emblemáticas da história da arte latino-americana e raramente apresentada fora do Museo Torres García, situado em Montevidéu. Mais do que inverter um mapa, a obra propõe uma mudança de perspectiva sobre o lugar da América Latina no mundo, tendo se tornado um dos maiores símbolos da afirmação cultural do continente. 

A mostra se revela a maior já realizada sobre Torres García no Brasil. São centenas de obras inéditas, com a reunião de uma quantidade expressiva de desenhos e manuscritos cedidos pelo Museo Torres García, que representam seus principais projetos artísticos, e a reunião de empréstimos valiosos no contexto museológico nacional e internacional: “museus como MACBA (Museu d’Art Contemporani de Barcelona), IVAM (Institut Valencià d’Art Modern), MSSA (Museo de la Solidaridad Salvador Allende), MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Galeria Sur e coleções privadas importantes cederam obras fundamentais de Torres García e da seleção de artistas propostos pela curadoria. Todos abraçaram o projeto em torno da celebração dos 150 anos do artista, momento único que permite gerenciar essa quantidade enorme de acordos em torno de um propósito singular e de uma riqueza ímpar”, completa. 

Outro eixo importante da exposição é sua dimensão educativa. Saulo di Tarso explica que Torres García compreendia a infância como uma forma de “integração da vida” e atribuía às crianças um papel central no projeto da criação moderna. 

A exposição tem patrocínio da BB Asset, organização e produção da Cy Museum e curadoria de Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García.

Cy Museum – Empresa Organizadora da exposição no Brasil. Especializada em projetos expositivos nacionais e internacionais. Prêmio APCA 2023 pela mostra “Marc Chagall: Sonho de Amor”. Dirigida pela museóloga e historiadora da arte Cynthia Taboada, PhD em Museologia. 

Saulo di Tarso – Curador, pesquisador e produtor cultural, reconhecido por articular exposições que conectam tradição e inovação na arte latino-americana. Idealizador e curador da mostra Joaquín Torres García – 150 anos, com a colaboração do Museu Torres García, ele também foi responsável pela museografia e produção multimídia da premiada exposição “Marc Chagall: Sonho de Amor” (APCA 2023) e traduziu a obra poética completa de Chagall para o português. Sua trajetória inclui curadorias em instituições como Casa do Olhar Luis Sacilotto, Casa das Rosas, Paço das Artes, Paço Imperial, Museu Afro Brasil, Galeria da Unicamp e Galeria Olido, além da criação da Trienal Internacional de Grafias pelo Memorial da América Latina. Com experiência em arte-educação, produção digital e pesquisa em arte contemporânea, atuou em projetos ao lado de nomes como Emanoel Araújo, Alexandre Wollner e Hans-Joachim Koellreutter. Fundador da Tangram Museologia e filiado ao ICOM-CIMAM, vive entre Brasil e Itália.

SERVIÇO

Joaquín Torres García – 150 anos

Local: Galerias do 3º Andar e Pátio – CCBB Belo Horizonte

Endereço: Praça da Liberdade, 450, Funcionários – BH/MG

Período: Até 12 de outubro de 2026

Ingressos: Gratuitos, mediante retirada em ccbb.com.br/bh

ou na bilheteria do CCBB BH

Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 22h.

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