Reforma tributária, reoneração da folha, mudanças na jornada de trabalho, combustíveis e juros elevados pressionam empresas e exigem revisão dos valores pagos pelo serviço de transporte.
O transporte rodoviário de cargas está diante de um cenário de forte pressão sobre os custos operacionais. A partir de 2027, uma série de mudanças tributárias, trabalhistas e econômicas deverá impactar diretamente as empresas do setor, tornando necessária a revisão dos valores praticados nos contratos de frete.
O alerta é do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (SETCEMG). A entidade chama a atenção para fatores como a reoneração gradual da folha de pagamento, a implementação da CBS e do IBS, a limitação do aproveitamento de créditos de combustíveis, a possível mudança na escala 6×1, a escalada dos preços do diesel, os juros elevados e a perda de produtividade nas operações.
Segundo o presidente do SETCEMG, Antonio Luis da Silva Junior, o Toninho, as transportadoras precisam deixar de absorver aumentos de custos sem a correspondente remuneração dos serviços.
“As empresas de transporte não podem continuar trabalhando no prejuízo para manter contratos e operações. Frete precisa remunerar todos os custos envolvidos, considerar os riscos operacionais e garantir uma margem que permita a continuidade e os investimentos das empresas. Não podemos confundir faturamento com resultado.”
Outro ponto de preocupação é a utilização da tabela de frete mínimo como referência comercial. Para o SETCEMG, o instrumento não contempla a totalidade dos custos de uma operação empresarial, como impostos, seguros, despesas administrativas, taxas adicionais, riscos e margem de lucro.
“A tabela de frete mínimo não pode ser confundida com uma tabela de preços para as empresas transportadoras. Ela não contempla todos os custos de uma operação logística. Cada transporte tem suas particularidades, e o preço precisa refletir a realidade da operação. É fundamental que o transportador tenha coragem de dizer não a um frete que não paga a conta”, afirma Toninho.
A entidade também destaca que a relação entre transportadores e embarcadores precisa ser pautada pelo diálogo e pelo equilíbrio econômico dos contratos. A falta de reconhecimento dos aumentos de custos pode comprometer a qualidade dos serviços, a segurança das operações e a regularidade do abastecimento.
“A dor será de todos. Se o embarcador não reconhecer os impactos que o transporte está sofrendo, chegará um momento em que as empresas não conseguirão garantir o nível de serviço e a qualidade que o mercado exige. Precisamos negociar, construir soluções conjuntas e remunerar adequadamente o transporte contratado”, alerta o presidente.
Como parte desse movimento, o SETCEMG promoverá, nos próximos três meses, treinamentos, seminários, análises e debates para orientar empresários, contadores e profissionais do setor sobre os impactos das mudanças previstas, a reorganização das empresas e a necessidade de adequação dos contratos e das tarifas.
“Nosso objetivo não é incentivar paralisações, mas defender a sustentabilidade das empresas. Operar com prejuízo, consumir patrimônio para sustentar contratos deficitários e assumir riscos sem remuneração adequada não é uma estratégia empresarial viável. É preciso preservar as empresas, os empregos e a capacidade de atendimento do setor”, reforça Toninho.
O SETCEMG defende uma atuação conjunta entre transportadores e embarcadores para garantir previsibilidade, segurança jurídica, equilíbrio contratual e condições econômicas para a continuidade dos serviços de transporte e logística.
Fonte: SETCEMG – Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais
Entrevistado: Antonio Luis da Silva Junior (Toninho) – Presidente do SETCEMG
Sugestões de abordagem: impacto dos custos no preço dos fretes; reforma tributária e transporte; sustentabilidade financeira das transportadoras; relação comercial entre embarcadores e transportadores; produtividade e mudanças na jornada de trabalho.





















Comentar