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Reforma Tributária já altera custos e processos no transporte de cargas

Nova estrutura tributária começou a produzir efeitos práticos em 2026 e exige adequações de sistemas, documentos e formação do preço do frete.

A Reforma Tributária deixou a etapa de discussão legislativa e já entrou na rotina das empresas de transporte rodoviário de cargas. Desde janeiro de 2026, o IBS e a CBS estão em fase de teste, enquanto transportadoras precisam adaptar sistemas e procedimentos às novas exigências fiscais. Para o setor, a mudança envolve não apenas a substituição gradual dos tributos sobre o consumo, mas também impactos na formação dos custos e na gestão das operações.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, estima que a reforma poderá elevar em cerca de 20% o custo do transporte rodoviário de cargas. A avaliação ocorre em um momento de transição no qual as empresas precisam incorporar as novas regras ao planejamento financeiro e à composição dos valores cobrados pelo frete.

Mudanças já chegaram aos documentos fiscais

Uma das primeiras consequências concretas para o transporte ocorreu em agosto, quando entrou em vigor a obrigatoriedade de emissão do Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) dentro do cronograma da Reforma Tributária para operações de cargas intermunicipais e interestaduais. No mesmo mês, também passaram a integrar o calendário o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e outros documentos relacionados ao transporte.

A mudança exige adequações nos sistemas emissores e nos processos internos das transportadoras. Embora a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS tenham flexibilizado as regras de validação dos campos relativos ao IBS e à CBS para evitar a rejeição automática dos documentos, a adaptação tecnológica e operacional continua fazendo parte da transição.

Ainda de acordo com o Setcemg, a principal questão para o transportador neste momento é transformar as novas determinações em procedimentos do dia a dia. A reforma já está em vigor desde janeiro, com alíquotas em fase de teste, e as alterações nos documentos fiscais exigem que as empresas revisem seus processos e preparem suas equipes para as próximas etapas.

A preparação também precisa alcançar a cadeia de fornecedores. A partir de 1º de janeiro, as empresas deverão estar prontas para a apuração assistida, o que exige atenção aos dados fiscais das operações e aos documentos que darão suporte à apropriação dos créditos. Nesse processo, o recadastramento de fornecedores passa a ser uma medida importante para evitar que a empresa inicie a cobrança da CBS sem conseguir aproveitar os créditos correspondentes.

“A preparação não pode ficar restrita ao sistema emissor da transportadora. É preciso revisar os cadastros, conferir os fornecedores e garantir que a documentação fiscal esteja adequada para que os créditos possam ser apropriados corretamente. Se a empresa não fizer esse trabalho antes do início da apuração assistida, poderá começar a recolher a CBS sem ter a mesma segurança na utilização dos créditos”, afirma Reinaldo Lage, assessor jurídico do Setcemg.

A preocupação do setor também envolve a formação do preço do frete. A Reforma Tributária modifica a lógica de tributação sobre o consumo e terá reflexos sobre a apuração dos tributos, a apropriação de créditos e o planejamento financeiro das empresas. O Setcemg já vinha discutindo esses efeitos desde 2025, quando seu Grupo de Trabalho Tributário avaliou a incidência do IBS e da CBS sobre as operações de transporte de cargas.

Transição seguirá até 2033

O impacto sobre as transportadoras não ficará restrito às mudanças que já começaram em 2026. O calendário prevê novas etapas nos próximos anos, com alterações na composição dos tributos e na forma de apuração. A transição para o novo modelo será gradual, o que significa que as empresas terão de administrar simultaneamente regras antigas e novas durante parte do período.

A Receita Federal destaca que 2026 é o ano de teste do IBS e da CBS e estabeleceu obrigações específicas para os documentos fiscais eletrônicos. O cronograma oficial também prevê novas fases de implantação ainda em 2026 e em 2027.

Nesse cenário, Antonio Luis afirma que o Setcemg realizará encontros de forma sistemática até janeiro para detalhar as mudanças e esclarecer dúvidas dos transportadores. A iniciativa acompanha uma demanda que tende a crescer conforme novas etapas da reforma forem incorporadas à rotina das empresas.

A discussão interessa também aos embarcadores e às demais cadeias produtivas, já que o transporte é um componente dos custos de circulação de mercadorias. A forma como as transportadoras absorverão ou repassarão as novas despesas tributárias poderá ter reflexos sobre contratos, negociação de fretes e planejamento das empresas que dependem do transporte rodoviário para movimentar sua produção.

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