Secretária Fernanda Mariele Fonseca Neves fala sobre crescimento da frota, segurança viária, transporte público, ciclovias, fiscalização e participação da população.
Sete Lagoas vive um período de crescimento urbano que impõe novos desafios à mobilidade. O aumento da circulação de veículos, a expansão dos bairros e residenciais e a necessidade de tornar os deslocamentos mais seguros colocam o trânsito no centro das discussões sobre planejamento urbano.
À frente da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SEMOB), Fernanda Mariele Fonseca Neves assumiu oficialmente o comando da pasta em setembro de 2026, após já estar respondendo pela Secretaria desde julho. A nomeação foi publicada no Diário Oficial do Município.
Em entrevista, a secretária aborda os principais desafios enfrentados atualmente pelo município e explica as ações desenvolvidas pela Secretaria em áreas como organização do trânsito, educação para o trânsito, fiscalização, transporte coletivo, infraestrutura cicloviária e atendimento às demandas dos moradores.
Uma cidade que cresceu — e uma frota que acompanha esse crescimento
Sete Lagoas vem passando por uma transformação urbana significativa, e esse processo também pode ser percebido nas ruas. De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, o município possui atualmente uma frota estimada em aproximadamente 160 mil veículos, considerando os veículos registrados e aqueles que circulam pela cidade.
Segundo Fernanda, o volume evidencia a dimensão do desafio enfrentado pela administração municipal, principalmente nos horários de maior movimento.
“Sete Lagoas vem passando por um importante crescimento urbano e populacional, e esse desenvolvimento também se reflete diretamente na mobilidade da cidade.”
A secretária explica que os horários de pico concentram maior fluxo na região central e nos principais acessos aos bairros mais populosos, exigindo acompanhamento permanente e planejamento da circulação.
“Esse número demonstra a dimensão do desafio que temos pela frente. Nos horários de pico, principalmente na região central e nos principais acessos aos bairros mais populosos, há uma concentração maior de veículos, o que exige planejamento e acompanhamento constante da mobilidade.”
Nesse cenário, a atuação da SEMOB envolve organização do trânsito, sinalização, planejamento viário e ações educativas.
“A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana trabalha na organização do trânsito, na melhoria da sinalização, no planejamento da circulação viária e em ações educativas e de orientação, buscando acompanhar o crescimento da cidade e proporcionar deslocamentos cada vez mais seguros, organizados e eficientes.”
Segurança viária: educação e fiscalização caminham juntas
O aumento da circulação de veículos também amplia a preocupação com a segurança viária. Segundo dados mencionados pela Secretaria, Sete Lagoas registrou 4.285 ocorrências de acidentes de trânsito em 2025. A base estadual de dados de trânsito é alimentada a partir dos registros do REDS e permite analisar ocorrências e vítimas por município, período e diferentes características.
Para Fernanda, o desafio não pode ser associado a uma única causa. Comportamento, atenção, respeito à sinalização e velocidade estão entre os fatores que precisam ser considerados.
“Mais do que apontar apenas uma causa, precisamos trabalhar vários fatores relacionados ao comportamento no trânsito, como desatenção, desrespeito à sinalização, velocidade incompatível, uso inadequado das vias e atitudes de risco.”
As motocicletas também recebem atenção especial, principalmente diante das ocorrências envolvendo vítimas.
A estratégia da Secretaria, segundo a secretária, combina educação e fiscalização.
“A Secretaria vem atuando em duas frentes que precisam caminhar juntas: educação e fiscalização.”
Entre as iniciativas estão blitzes educativas, palestras, ações em escolas, campanhas de conscientização e atividades direcionadas a diferentes públicos.
A Semana Nacional de Trânsito também é apontada como um momento importante para ampliar o diálogo com a população. Em 2026, a programação municipal inclui blitzes educativas, desfile de veículos, atividades de conscientização e simulado de sinistro.
Guardião 7L: tecnologia voltada à segurança pública
O uso da tecnologia no cotidiano da cidade também desperta dúvidas entre os motoristas, especialmente em relação ao sistema de videomonitoramento.
Fernanda faz uma distinção importante sobre a finalidade do Guardião 7L: segundo a Secretaria, o sistema não é utilizado para fiscalização de trânsito ou aplicação de multas por videomonitoramento.
“É importante esclarecer que o Guardião 7L não realiza fiscalização de trânsito nem aplicação de multas por videomonitoramento.”
De acordo com a secretária, o sistema tem como objetivo ampliar a segurança da população por meio do monitoramento de pontos estratégicos e do apoio às forças de segurança na prevenção e no atendimento de ocorrências.
“Portanto, o Guardião 7L é uma ferramenta voltada à segurança pública e à proteção da população, e não à fiscalização de infrações de trânsito.”
Ciclovias e transporte público: pensar a cidade além dos carros
Uma mobilidade urbana planejada não se limita aos automóveis. Pedestres, ciclistas, motociclistas e usuários do transporte coletivo também fazem parte dessa equação.
Para Fernanda, o planejamento precisa considerar todos esses modais de maneira integrada.
“A mobilidade urbana precisa ser pensada de maneira integrada. Isso significa não olhar somente para carros e motocicletas, mas também para pedestres, bicicletas e transporte coletivo.”
A expansão e a melhoria da infraestrutura cicloviária estão inseridas nesse processo, levando em consideração estudos técnicos, segurança dos usuários e integração com os demais meios de transporte.
No transporte coletivo, a Secretaria reconhece os desafios existentes e afirma que o município vem adotando medidas para garantir a continuidade do serviço.
A prioridade, segundo Fernanda, é buscar um sistema que atenda de forma mais adequada às necessidades da população, especialmente diante do crescimento dos bairros e novos residenciais.
“O objetivo é buscar um transporte público mais regular, acessível e adequado às necessidades da população, especialmente nos bairros e novos residenciais que estão crescendo.”
Para a secretária, o futuro da mobilidade passa justamente pela ampliação das possibilidades de deslocamento.
“A mobilidade do futuro precisa oferecer alternativas para que o cidadão possa escolher como se deslocar pela cidade com segurança, conforto e dignidade.”
O cidadão como parte da solução
Quem circula diariamente pelos bairros conhece, muitas vezes antes do poder público, os problemas que afetam a mobilidade local: uma sinalização apagada, uma necessidade de intervenção viária ou outras demandas que interferem diretamente na rotina.
Por isso, a participação dos moradores é considerada pela SEMOB uma ferramenta importante para identificar problemas e direcionar as ações.
Entre os canais disponíveis está o aplicativo 7L RESOLVE, que permite registrar solicitações, pedir serviços e acompanhar o andamento das demandas.
A população também pode recorrer à Ouvidoria Municipal, canal destinado ao recebimento de reclamações, sugestões, solicitações, denúncias, elogios e pedidos de informação.
Além dos canais digitais, existe ainda o atendimento presencial na sede da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, localizada na Avenida Raquel Teixeira Viana, 582, Centro, onde a equipe recebe e orienta os cidadãos.
A Secretaria também disponibiliza os canais oficiais da Prefeitura, incluindo o e-mail ouvidoria@setelagoas.mg.gov.br.

Fernanda Mariele Fonseca Neves – Secretária d Trânsito de Sete Lagoas
“Nosso objetivo é aproximar cada vez mais a Secretaria da população. Quem vive a cidade diariamente conhece de perto suas necessidades, e ouvir o cidadão é fundamental para planejarmos uma mobilidade urbana cada vez mais eficiente, segura e acessível.”
Mobilidade urbana é, antes de tudo, sobre pessoas
Ao final da entrevista, Fernanda reforça uma visão mais ampla sobre o conceito de mobilidade urbana.
Para a secretária, falar em mobilidade significa discutir não apenas trânsito, congestionamentos ou veículos, mas as condições que permitem às pessoas se deslocarem pela cidade com segurança, acessibilidade e qualidade.
“Mobilidade urbana vai muito além do trânsito. Mobilidade é garantir que as pessoas possam se deslocar pela cidade de forma segura, acessível, eficiente e com qualidade, independentemente do meio de transporte que utilizem.”
Essa perspectiva inclui pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas e passageiros do transporte público, além de temas como acessibilidade, calçadas, sinalização, transporte coletivo, infraestrutura viária e organização dos espaços urbanos.
“Pensar em mobilidade urbana é pensar em pessoas e na forma como elas vivem e se deslocam pela cidade.”
Diante do crescimento de Sete Lagoas, a Secretaria defende um planejamento capaz de acompanhar a expansão urbana e, ao mesmo tempo, responder às necessidades de quem já vive na cidade.
“A construção de uma mobilidade urbana de qualidade depende do poder público, mas também da participação da população. Uma cidade com melhor mobilidade é uma cidade mais acessível, conectada e preparada para o futuro.”
Uma agenda que acompanha o crescimento da cidade
Com uma frota numerosa, novos bairros em expansão e diferentes demandas de deslocamento, Sete Lagoas enfrenta o desafio de conciliar crescimento urbano, segurança viária, infraestrutura e qualidade de vida.
A entrevista da secretária Fernanda Mariele Fonseca Neves coloca esses temas em perspectiva e reforça que a mobilidade urbana exige planejamento contínuo — mas também diálogo permanente com quem vive e circula pela cidade todos os dias.





















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