O diretor, roteirista e produtor Leonardo Barcelos lança no dia 8 de outubro, às 18h, a série documental “Cartografias do Corpo”. Composto por 13 episódios de 26 minutos, o trabalho foi gravado no Brasil e em cidades como Nova York, Berlim e Paris, e reúne artistas, pensadores, pesquisadores e ativistas de diferentes países e trajetórias em torno das relações entre corpo, identidade, território, performance, tecnologia e política. Nomes como Zé Celso Martinez, Marina Abramović, ORLAN, Ayrson Heráclito, Erika Hilton, Paulo Nazareth, Natacha Voliakovsky, Carlos Martiel, além dos especialistas Suely Rolnik, Carlos Mendonça, Hélio Lauar e Ailton Krenak, estão presentes na produção, que será lançada na exposição “Polifonia da Presença”, de Leonardo Barcelos, em cartaz no Centro Cultural UFMG. A entrada é gratuita.
“Cartografias do Corpo” completa o projeto “Trilogia do Corpo”, produzido e dirigido por Leonardo Barcelos, que deu origem também aos longas “Corpo Presente” e “O Que Pode o Corpo?”. As obras são resultado de uma pesquisa audiovisual de mais de 10 anos realizada por Barcelos sobre o corpo como território de presença, memória, política e criação, em colaboração com diferentes roteiristas, pesquisadores e profissionais. Entre eles estão os roteiristas Tiago Tereza, Laura Coggiola e Christiane Tassis, o produtor André Hallak, Joana Braga e o diretor de fotografia Vagner Jabour.
“Reunindo, pela primeira vez, alguns dos mais influentes artistas e performers do mundo em uma abordagem inédita sobre suas obras, processos e reflexões, de ‘Cartografias do Corpo’ completa o trabalho de pesquisa que iniciei há 10 anos sobre o corpo no mundo contemporâneo, suas diferentes camadas e transformações sociais e políticas. É, sem dúvida, uma das experiências mais ambiciosas e gratificantes da minha carreira’, diz o diretor Leonardo Barcelos.
No dia 8 de outubro, no auditório do Centro Cultural UFMG, serão exibidos para o público dois episódios de “Cartografias do Corpo”. Em “Conexões Corporais”, práticas de concentração, meditação, ritual e espiritualidade ativam diferentes estados do corpo e da consciência, em diálogos com Zé Celso Martinez, Marina Abramović, Marco Paulo Rolla, Natacha Voliakovsky, Carlos Martiel e Paula Garcia, além das reflexões de Suely Rolnik e Christine Mello. Já o episódio “Corpo e Representatividade” reúne Paulo Nazareth, Zahy Tentehar, Jup do Bairro, Edgar Xakriabá, Isis Broken, Luna Ventura e Regina José Galindo, além de de Carlos Mendonça e Erika Hilton, para abordar corpos negros, indígenas, trans e dissidentes, confrontando processos históricos de invisibilização e exclusão.
“A série reúne grandes nomes da performance e do pensamento contemporâneo, em um diálogo entre diferentes experiências, linguagens, gerações e culturas. Os depoimentos que surgiram entre essas vozes, corpos e imagens resultaram em um documento singular sobre corpo contemporâneo e suas dimensões poéticas, políticas e sociais”, afirma o diretor Leonardo Barcelos.
Com a proposta de ampliar os temas dos episódios e abrir o diálogo sobre corpo, imagem, memória, performance e criação artística, após as exibições dos episódios, às 19h, acontece o debate “O Corpo como Arquivo, Território e Fronteira”, mediado pelo pesquisador, curador e professor Eduardo de Jesus. Participam do bate-papo Leonardo Barcelos; Carlos Mendonça, pesquisador e professor dedicado aos estudos da performance; Hélio Lauar, psicanalista; e Ana Luísa Santos, artista, performer e pesquisadora.
“Polifonia da Presença” – Inédita, a exposição assinada por Leonardo Barcelos ocupa as galerias do Centro Cultural UFMG até 23 de outubro e propõe uma nova forma de experimentar o cinema documental, transformando imagens, sons, gestos e atmosferas cinematográficas em um convite para que o público não apenas assista aos trabalhos, mas entre nas obras. Pela primeira vez, os filmes “Corpo Presente”, “O Que Pode o Corpo?” e a série “Cartografias do Corpo” deixam a tela para ocupar o espaço expositivo em uma travessia por corpo, memória, identidade, política, alteridade e transformação. O projeto transforma mais de dez anos de pesquisa de Leonardo Barcelos entre cinema, artes visuais e performance em quatro instalações audiovisuais imersivas.
“A exposição parte de uma pesquisa artística desenvolvida ao longo de vários anos sobre o corpo no mundo contemporâneo, suas diferentes camadas, transformações, disputas e possibilidades. A pesquisa observa o corpo como matéria biológica, construção subjetiva, território político e espaço de invenção”, explica Leonardo Barcelos.
Pela primeira vez, uma trilogia cinematográfica completa é transposta integralmente para uma linguagem imersiva e instalativa. A exposição é organizada como um percurso contínuo por quatro núcleos interligados – “A Origem”, “A Matéria”, “O Outro” e “A Voz” –, que conduzem o visitante por diferentes configurações espaciais e intensidades sensoriais. Elementos visuais, sonoros e arquitetônicos estabelecem conexões entre os ambientes, fazendo da travessia uma parte fundamental da experiência.
Leonardo Barcelos explica que não se trata de simplesmente exibir filmes em um espaço cultural, mas de fazer com que suas imagens e sons ocupem fisicamente o ambiente e sejam atravessados pelo próprio corpo do visitante. “O objetivo é transformar essa pesquisa audiovisual em uma experiência corporal e sensorial. Mais do que imagens, a exposição quer criar condições para que o público experimente essas questões por meio das imagens, dos sons, da luz, da fumaça, dos reflexos e dos diferentes materiais presentes nas instalações”, afirma.
“Polifonia da Presença” não pretende oferecer uma experiência exclusivamente racional ou explicativa. O corpo do visitante é parte constitutiva da obra. “A exposição não pretende funcionar apenas como uma explicação racional. O próprio corpo do visitante completa o trabalho. Talvez a pessoa não saia necessariamente com uma definição exata sobre tudo o que viu, mas poderá sentir essas questões e perceber como elas atravessam sua própria experiência no mundo”, diz Leonardo Barcelos.
“Ao se misturarem aos nossos próprios corpos, as imagens operam uma fricção constante entre matéria, memória e alteridade. Organizada em quatro eixos que se contaminam continuamente, a exposição propõe uma travessia sensível, convidando a dissolver as certezas do olhar e a experimentar o corpo como um território de invenção”, comenta Eduardo de Jesus, que assina o texto curatorial.
Em “A Origem”, uma grande projeção com imagens de “Corpo Presente” funciona como um portal visual. Raízes atravessam paredes e chão e conduzem o público até um espelho d’água, onde projeções, luz e fumaça criam um ambiente de passagem entre corpo, matéria e energia. O núcleo aborda a ancestralidade, a transformação e os ciclos da matéria.
“A Matéria” aproxima o corpo das ideias de gestação, criação, cuidado e transformação. Módulos circulares de tecido recebem projeções e iluminação cênica, enquanto uma cúpula de vidro, imagens e areia branca compõem um ambiente que pode remeter simultaneamente a um útero, um organismo, um planeta ou ao próprio universo. O núcleo também estabelece um diálogo direto com a performance de Ludmilla Ramalho, que encerra a programação da exposição no dia 23 de outubro.
Já “O Outro” propõe uma experiência de encontro e alteridade. Em um percurso labiríntico formado por espelhos, vidros, superfícies reflexivas, materiais translúcidos e projeções, o visitante vê seu próprio corpo misturado às imagens de outras pessoas. A experiência desloca a percepção de identidade e convida à reflexão sobre reconhecimento, diferença e pertencimento.
No núcleo “A Voz”, o corpo deixa de ser apenas imagem e passa a se afirmar também como discurso, memória e posição no mundo. Quatro telas apresentam diferentes eixos temáticos construídos a partir de trechos da série inédita Cartografias do Corpo, reunindo depoimentos, performances e fragmentos audiovisuais de artistas, pensadores, ativistas e personagens de diferentes gerações e contextos. As vozes abordam questões como identidade, gênero, raça, ancestralidade, território, tecnologia, opressão e emancipação, formando um campo de escuta em que experiências individuais se cruzam e ganham dimensão coletiva.
Programação formativa – A experiência proposta pela exposição vai além das instalações, com uma programação paralela de atividades educativas, ações de mediação, exibições, conversas e performances, criada para aproximar o público dos temas centrais da Trilogia do Corpo: corpo, imagem, alteridade e política.
A artista multimídia Ludmilla Ramalho realiza, no dia 23 de outubro, às 17h, uma performance que estabelece um diálogo entre imagens de sua gravidez registradas no longa “Corpo Presente” e sua presença atual ao lado da filha, hoje com seis anos. Em cena, mãe e filha compartilham o mesmo espaço de queda e cuidado. A partir do questionamento “quanto pesa um corpo que cuida?”, a performance investiga a maternidade como experiência de exaustão, vínculo e interdependência. “Existe um encontro entre diferentes tempos do mesmo corpo: o corpo grávido registrado no passado; o corpo da artista no presente; e a presença da filha como continuidade daquela experiência. A intervenção faz com que a imagem registrada deixe de ser apenas documento e volte a se tornar uma experiência viva”, explica Leonardo Barcelos.
Este projeto é realizado com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura e da Prefeitura de Belo Horizonte.
Sobre Leonardo Barcelos – Cineasta e roteirista com mais de 25 anos de atuação no audiovisual e nas artes contemporâneas. Radicado em Belo Horizonte, desenvolve narrativas híbridas que transitam entre cinema, performance e artes visuais. É bacharel em Comunicação Social UFMG e pós-graduado em Comunicação, Novas Tecnologias e Hipermídia UNI BH. Seus filmes foram exibidos em mais de 40 países, em festivais, museus e instituições culturais da América Latina, Europa e Estados Unidos. Foi membro fundador do Coletivo Teia, referência no audiovisual brasileiro contemporâneo, com obras apresentadas em festivais como Berlinale, Veneza, Toronto, Locarno, Rotterdam, Sundance e San Sebastián, além de instituições como MoMA, New Museum e Inhotim. Dirigiu os documentários Balança Mas Não Cai (2012), Corpo Presente (2023), com estreias na Mostra de Tiradentes e no Festival de Havana, e O Que Pode o Corpo? (2024). Também criou a série documental Cartografias do Corpo (13 × 26 min) e atualmente finaliza o longa híbrido Territórios do Sensível.
Ficha técnica
Produtora: Tandera Filmes; Co-produção: Trem Chic Cinevideolab; Direção e concepção artística: Leonardo Barcelos; Produção Executiva: Leonardo Barcelos; Produção Bárbara Burgarelli e Mariana Takamatsu; Arquitetura e Expografia: Nathália Larsen; Textos Curatoriais: Eduardo Jesus; Coordenação Técnica Audiovisual: Leandro Aragão; Montagem: Roger Black Ink, Igor Hermont e Ana Katherine; Edição de vídeos: Tiago Tereza e Gabriel Penna; Designer gráfico: Alexandre Brandão ; Redes Sociais: UMA Assessoria; Assessoria de Imprensa: Cristina Sanches (CS Comunicação e Arte); Performance: Ludmilla Ramalho; Convidados – Mesa de Debate “O Corpo como Arquivo, Território e Fronteira”: Eduardo de Jesus; Ana Luísa Santos; Carlos Mendonça; e Hélio Lauar.
SERVIÇO
Exposição “Polifonia da Presença”
Data: até 23 de outubro
Grande Galeria do Centro Cultural UFMG (salas 1 a 5)
Horários: terça à sexta, das 9h às 20h. Sábado, domingo e feriados, das 9h às 17h
Entrada: gratuita
Lançamento da série documental “Cartografias do Corpo”
Data: 8 de outubro, às 18h
Bate-papo com Leonardo Barcelos, Carlos Mendonça, Hélio Lauar, Ana Luísa Santos, às 19h
Auditório do Centro Cultural UFMG
Entrada: gratuita





















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