Presença de doulas reduz em mais de 50% os casos de depressão pós-parto, apontam estudos americanos.
A gestação é um período de intensas mudanças físicas, emocionais e sociais. Muitas mulheres, apesar do acompanhamento médico, sentem-se inseguras, solitárias ou sobrecarregadas durante a gravidez, o parto e o pós-parto. É nesse cenário que o trabalho da doula se torna essencial: além de oferecer suporte físico, sua atuação se concentra no acolhimento emocional e psicológico, ajudando a reduzir medos, fortalecer a autoconfiança e criar um ambiente mais tranquilo para a experiência da maternidade.
Estudos apontam que cerca de 1 em cada 5 mulheres desenvolve sintomas de depressão pós-parto, condição que pode afetar não apenas o bem-estar da mãe, mas também o desenvolvimento emocional e cognitivo do bebê. Pesquisas também revelam que a ausência de apoio emocional adequado aumenta os riscos de ansiedade, estresse e dificuldades na amamentação. O suporte contínuo de uma doula, no entanto, está associado a partos mais positivos, menor incidência de cesarianas desnecessárias, redução do uso de anestesia e, principalmente, à sensação de segurança e acolhimento da mulher.
Mamãe Ana Paula e a neném Cecília
Mamãe Tamires e a neném Milena
A presença da doula não substitui o acompanhamento médico, mas complementa o cuidado ao oferecer escuta ativa, encorajamento e informações claras. Ela auxilia a gestante a se conectar com seu corpo, compreender suas escolhas e viver o processo de forma mais consciente. Após o parto, a doula também pode apoiar a mãe na adaptação à nova rotina, prevenindo o isolamento e fortalecendo a rede de cuidado.
Segundo a fisioterapeuta e doula Dra. Débora Aléx, “o apoio emocional contínuo que oferecemos não é apenas um conforto momentâneo, mas um fator decisivo para reduzir os riscos de depressão pós-parto e fortalecer a confiança da mulher em sua própria capacidade de gestar, parir e maternar”.
Ao reconhecer a importância do suporte emocional, entende-se que a presença da doula é mais do que um diferencial: é um investimento na saúde integral da mulher, no vínculo materno-infantil e no bem-estar familiar como um todo.
O que dizem os estudos
1.Redução significativa da depressão e ansiedade pós-parto
*Estudo baseado em dados de Medicaid em três estados dos Estados Unidos mostrou que mulheres que receberam assistência de doula tiveram 57,5% menos probabilidade de serem diagnosticadas com depressão ou ansiedade pós-parto (PPD/PPA) em comparação com aquelas que não tiveram esse suporte (OR ≈ 0,425) PubMedPMC.
*Quando o suporte da doula ocorreu apenas durante o trabalho de parto e o parto, a redução no risco foi ainda maior: 64,7% menor probabilidade de desenvolver PPD/PPA PubMedPMC.
2. Benefícios para nascimentos saudáveis e desfechos obstétricos
*Mulheres com suporte de doula tiveram 52,9% menos chance de parto cesáreo (OR ≈ 0,47) PubMedPMC.
*O apoio da doula também foi associado a melhores desfechos neonatais: 4 vezes menos chance de bebê com baixo peso ao nascer e 2 vezes menos chance de complicação no nascimento; além de maior probabilidade de início da amamentação em comparação com gestantes sem doula PMC+1.
*Revisões e metanálises destacam que o suporte emocional contínuo da doula reduz a duração do trabalho de parto, diminui a taxa de cesáreas e partos assistidos, além de reduzir níveis de ansiedade e estresse materno PubMedWiley Online LibraryPMC.
3. Evidências robustas e amplas
*Uma análise retrospectiva confirmou os dados citados acima, reforçando que o suporte da doula — especialmente no trabalho de parto — tem forte associação com melhores resultados maternos e redução de depressão/ansiedade PMC.
*Uma das grandes metanálises constatou que a presença de doula reduz o risco de parto cesáreo (OR = 0,68; 95 % CI: 0,47–0,99) e de parto vaginal instrumental (OR = 0,54; 95 % CI: 0,35–0,92) PMC.
4. Prevenção de depressão comparada com outros métodos de analgesia
*Em estudo chinês comparando técnicas de alívio da dor durante o parto (epidural, estímulo elétrico transcutâneo e apoio de doula), as mulheres que contaram com apoio de doula apresentaram menor ocorrência de depressão pós-parto: apenas 7,3% apresentaram possíveis sintomas de depressão entre 2 a 4 semanas após o parto, comparado a 16% no grupo da epidural PubMed.
5- Estudos empíricos no Brasil sobre o papel da doula
A tese de mestrado da psicóloga Eleonora de Deus Vieira de Moraes, na Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, revelou que a presença contínua de doulas durante o trabalho de parto está relacionada à maior liberação de serotonina pela mãe logo após o nascimento. Esse achado sugere benefícios fisiológicos complementares ao suporte emocional e físico, potencializando a conexão mãe-bebê.
Uma revisão publicada no SciELO analisou tanto estudos nacionais quanto internacionais realizados entre 2000 e 2009. Entre seus achados:
*Mulheres acompanhadas por doulas relataram sensações de segurança, confiança, relaxamento e calma durante o trabalho de parto, parto e puerpério. SciELO Brasil
*Estudos qualitativos, como o de Rodrigues e Siqueira em maternidade do SUS (São Paulo), destacaram que a escuta responsiva oferecida por doulas diminui o estresse materno e contribui para uma experiência de parto mais acolhedora e menos traumática.
Débora Álex, Fisioterapeuta pélvica e Doula
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*Fotos autorizadas pelas pacientes
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