A neurocientista Telma Abrahão afirma que a negligência histórica ao trauma infantil tem impacto direto nas doenças físicas e emocionais que mais crescem no país.
O Brasil enfrenta uma crise silenciosa: o aumento expressivo de ansiedade, depressão, automedicação e transtornos ligados ao estresse. Por trás desses índices, cada vez mais altos, especialistas apontam uma raiz comum, experiências adversas na infância, como violência emocional, negligência, abusos e ausência de vínculos seguros. Pesquisas recentes estimam que até 70% dos adultos carregam algum tipo de trauma não elaborado ao longo da vida.
Apesar da dimensão do problema, o país ainda carece de profissionais capacitados para lidar com o assunto. Diferentemente de Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, onde hospitais, escolas e organizações já adotam protocolos Trauma Informed, o Brasil avança de forma lenta na formação de equipes preparadas para reconhecer e tratar os efeitos biológicos e comportamentais do trauma. A maioria dos médicos, psicólogos e educadores segue sem treinamento específico sobre trauma complexo e sua relação direta com o corpo.
A neurociência já comprovou que o trauma não é apenas um registro emocional: trata-se de um impacto profundo no sistema nervoso. Alterações no eixo HPA, na liberação de cortisol e adrenalina, no funcionamento imunológico e até na expressão genética podem deixar o organismo em permanente estado de alerta, aumentando o risco de doenças físicas, transtornos mentais e dificuldades de relacionamento. “O que acontece na infância não fica na infância”, explica a biomédica e especialista em neurociências Telma Abrahão. “Quando tratamos apenas os sintomas, sem olhar para a raiz, perpetuamos ciclos de sofrimento que atravessam gerações”.
Autora de dois best-sellers e referência nacional em trauma, comportamento e desenvolvimento infantil, Telma tem se dedicado à formação de profissionais de saúde e educação para uma atuação informada pela neurobiologia do trauma. Sua abordagem integra ciência, regulação emocional e compreensão das respostas automáticas do corpo, como luta, fuga, congelamento e submissão, que surgem diante do estresse extremo.
A especialista destaca que a prevenção precisa anteceder o tratamento. “Trauma não é exceção; é uma realidade que estrutura grande parte da dor emocional contemporânea. Quando oferecemos ambientes seguros e profissionais preparados, quebramos um ciclo que, por muito tempo, foi normalizado”, afirma.
Por Assessoria de Comunicação





















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