Uma reflexão sobre viajar mais, viver melhor e cuidar de si, em sintonia com o Setembro Amarelo.
Lá pela década de 90, eu sempre me perguntava por que tinha esse desejo quase incontrolável de viajar. Em muitos momentos, eu sentia que estava precisando de alguma coisa que não sabia explicar bem.
Talvez eu precisasse de um descanso, de mudar o cenário, de conhecer um lugar que já tinha visto nas fotografias ou sobre o qual alguém tinha falado.
Mas a resposta mais assertiva que me dei foi simplesmente a vontade de viver.
Viajar é uma das maneiras mais bonitas que encontrei de responder a esse chamado.
Ao longo dos anos, entre o turismo, a fotografia e as minhas próprias experiências de viagem, fui entendendo que sair de casa significa também abrir espaço para novas percepções.
Para uma conversa inesperada, uma paisagem que nos silencia, um sabor que fica na memória, uma cidade que nos faz olhar para a nossa própria história de outra maneira. Tenho certeza de que você se identificou com alguma coisa que te contei até aqui.
É por isso que, para mim, viajar mais nunca foi apenas uma questão de quantidade. É uma questão de presença, de escolha, de viver melhor.
Planejar uma viagem com cuidado, cuidar da vida com presença
Talvez este seja um dos maiores sentidos de uma viagem: lembrar que ainda existem caminhos a percorrer, encontros a viver e histórias esperando por nós.
Nas minhas andanças pelo mundo, certa vez, encontrei uma jovem, de aproximadamente 35 anos, viajando sozinha. Começamos a conversar, e ela foi me contando um pouco das suas motivações.
Ela relatou que, certa vez, ficou três meses com os beduínos — nômades do deserto — para aprender sobre o estilo de vida deles. E ela aprendeu muito mais: aprendeu a redefinir os valores que carregava em si: hospitalidade, lealdade, honra, coragem e resiliência.
Aprendeu que o silêncio é cura, que falar é cura. Aprendeu a ver a vida de dentro para fora e levou isso consigo.
Nós não precisamos ir a um deserto tão distante para nos ressignificar. Basta olhar para o horizonte que nos abraça, para o céu que descreve nosso futuro.
Basta andar por aí, quem sabe colocar uma mochila nas costas ou arrumar as malas para nos redescobrir. Basta parar e conversar com alguém que nunca vimos e, assim, falar sem barreiras.
Viajar nos possibilita tudo isso. Viajar nos permite sermos.
O que aprendi viajando
As minhas viagens me ensinaram coisas que nenhum ambiente formal seria capaz de explicar completamente.
Ensinaram que nem sempre o dia mais planejado é o mais marcante. Que uma paisagem pode dizer muito sem precisar de palavras. Que a gastronomia conta boas histórias e que as cidades guardam memórias.
Que viajar nos coloca diante de outras formas de viver e, muitas vezes, nos faz voltar para casa com um olhar diferente sobre a nossa própria vida.
Também aprendi que o conforto não está apenas na hospedagem. Está na tranquilidade. Na sensação de estar amparada. Na possibilidade de contar com alguém quando surge uma dúvida.
Na confiança de que existe um cuidado acontecendo, mesmo quando não estamos vendo. E foi justamente essa percepção que fortaleceu a maneira como trabalho com turismo.
Eu não quero apenas ajudar alguém a comprar uma viagem. Quero ajudar a construir uma experiência que faça sentido. Quero fazer você enxergar que viajar pode, sim, ser uma grande e linda motivação para viver.
E aqui, na Revista Fanzini, vou te apresentar um mundo de possibilidades que você pode realizar.
Meu recado final vem com o coração cheio de gratidão pela sua vida — e pela oportunidade de compartilhar caminhos, experiências e histórias que nos lembram da beleza de estar aqui:
Ainda há caminhos que não percorremos, histórias que não vivemos e destinos que nos esperam. Que a vida seja sempre a nossa escolha mais preciosa.

Barbara Freitas – Agende de Viagens





















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