No mês passado, falamos sobre a importância de enxergar o Imposto de Renda como mais do que uma obrigação anual.
Falamos sobre organização, transparência e sobre como a declaração se tornou um verdadeiro retrato da vida financeira. Agora, avançamos um passo.
Com o início do prazo de entrega do Imposto de Renda 2026, relativo ao ano-base 2025, entramos na fase mais sensível do processo: a execução.
É o momento de transformar conhecimento em ação — e fazer isso com precisão.

Quem está obrigado a declarar — e os cuidados essenciais
Para o exercício de 2026, a obrigatoriedade de entrega da declaração segue critérios definidos pela Receita Federal, entre eles:
- rendimentos tributáveis acima do limite anual estabelecido;
• posse de bens e direitos acima do valor mínimo exigido;
• realização de operações em bolsa de valores;
• obtenção de ganho de capital na alienação de bens;
• recebimento de rendimentos isentos ou do exterior em valores relevantes.
Mais do que saber se está obrigado, o ponto central está nos cuidados.
Declarar exige consistência, documentação e coerência entre as informações prestadas.
A Receita Federal evoluiu — e a forma de fiscalizar também.
Hoje, declarar corretamente é, acima de tudo, um exercício de precisão.
Profissionais liberais: onde mais acontecem os erros
No IRPF 2026, profissionais liberais continuam sendo um dos grupos com maior incidência de inconsistências.
Isso ocorre pela própria natureza da atividade:
- múltiplas fontes de receita;
• recebimentos diretos de clientes;
• utilização simultânea de pessoa física e jurídica;
• deduções que exigem comprovação rigorosa.
Os erros mais comuns permanecem claros:
- omissão de rendimentos recebidos sem intermediação;
• divergência entre valores informados por terceiros e os declarados;
• uso incorreto ou ausência do livro-caixa;
• deduções lançadas sem base documental adequada.
Não se trata de complexidade excessiva.
Trata-se de falta de alinhamento entre o que foi recebido, registrado e declarado.
Pessoa Física e Pessoa Jurídica: o cruzamento é automático
Um dos pontos mais relevantes na legislação atual não está apenas na regra — está na tecnologia aplicada à fiscalização.
A Receita Federal realiza cruzamentos automáticos entre:
- declarações de pessoas físicas;
• informações prestadas por empresas;
• dados bancários e financeiros;
• notas fiscais e movimentações econômicas.
Isso significa que a relação entre CPF e CNPJ precisa estar perfeitamente alinhada.
Qualquer divergência — mesmo que pequena — pode gerar questionamentos.
E, na maioria dos casos, esses questionamentos não surgem por grandes falhas, mas por inconsistências simples.
Rendimentos: pró-labore, lucros e outras naturezas
Outro ponto que exige atenção no momento da declaração é a correta classificação dos rendimentos.
No IRPF 2026, permanece fundamental compreender a diferença entre:
- pró-labore— rendimento tributável, sujeito à incidência de INSS e Imposto de Renda;
• distribuição de lucros — isenta, desde que apurada com base em contabilidade regular;
• rendimentos diversos — como aluguéis, aplicações financeiras e serviços prestados.
O erro mais recorrente é tratar rendimentos distintos como se fossem equivalentes.
Cada natureza possui tratamento específico — e é justamente essa diferenciação que garante a conformidade fiscal.

Malha fina: prevenção, regularização e impactos
A malha fina continua sendo um dos principais pontos de atenção no processo de declaração.
Ela ocorre quando a Receita identifica divergências entre os dados informados e aqueles recebidos de outras fontes.
As causas mais frequentes permanecem:
- omissão de rendimentos;
• inconsistência de valores;
• divergências entre fontes pagadoras e declaração;
• deduções sem comprovação.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, é possível regularizar.
Por meio de declaração retificadora ou apresentação de documentos, o contribuinte pode corrigir inconsistências.
Ainda assim, os impactos podem incluir:
- atraso na restituição;
• pagamento de imposto complementar;
• incidência de multas e juros.
Por isso, a prevenção continua sendo o melhor caminho.
Leia também: Março: Imposto de Renda — quando a transparência protege o patrimônio
Perguntas rápidas que fazem toda a diferença
Mesmo com todas essas orientações, algumas dúvidas continuam sendo comuns — e decisivas no momento da declaração.
Qual é o prazo de entrega?
O prazo vai de 23/03/2026 a 29/05/2026.
Quem precisa declarar?
Quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 em 2025, além de outros critérios.
Casal pode declarar junto?
Sim, inclusive companheiros. Mas nem sempre é a opção mais vantajosa — é preciso avaliar.
Academia pode ser deduzida?
Não. É considerada despesa pessoal.
Pilates pode ser deduzido?
Depende. Apenas quando há indicação médica e profissional habilitado.
Cirurgia plástica pode ser deduzida?
Somente quando há finalidade médica ou reparadora. Estética não é dedutível.
Quem tem mais de 70 anos ainda precisa declarar?
A idade não obriga nem desobriga a entregar a declaração. Um recém-nascido ou uma pessoa idosa podem estar obrigados a declarar o imposto de renda se estiverem enquadradas em uma das situações de obrigatoriedade.
Pensão alimentícia: o que mudou?
Os valores que você recebe de pensão alimentícia não são mais tributados pelo imposto de renda. Para quem paga, nada mudou. A pessoa deve continuar declarando anualmente o pagamento da pensão, que continua dedutível, colocando o CPF do alimentando (aquele que tem direito a pensão).
Declarar com segurança é um processo contínuo
A entrega da declaração não deve ser vista como um evento isolado.
Ela é o resultado de um processo que envolve organização ao longo do ano, entendimento da legislação e atenção na execução.
Quando esse processo é bem conduzido, o contribuinte ganha mais do que conformidade.
Ganha tranquilidade para seguir com seus projetos com segurança.

Informação correta é proteção
Ao longo dos anos, aprendemos que a maioria dos problemas fiscais não nasce da intenção de errar.
Nasce da ausência de orientação adequada.
Por isso, seguimos firmes em um princípio simples: explicar, orientar e cuidar.
Porque, no final, declarar corretamente não é apenas cumprir uma exigência legal.
É proteger o patrimônio, organizar a vida financeira e tomar decisões com consciência.
Se março foi o mês de entender, abril é o mês de executar com segurança.
E isso faz toda a diferença.

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06 de abril de 2026





















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