Comer é um dos maiores prazeres da vida e um ato social fundamental. No entanto, para milhões de pessoas, um simples ingrediente pode transformar uma refeição em uma emergência médica. A alergia alimentar é uma reação do sistema imunológico que ocorre logo após a ingestão de um determinado alimento.
Embora muitas vezes confundida com intolerância, a alergia pode ser muito mais grave e, em casos extremos, fatal. Neste artigo, vamos desmistificar o assunto, ajudar você a identificar os sintomas e saber exatamente quando procurar ajuda.
O que é exatamente a Alergia Alimentar?
A alergia alimentar ocorre quando o sistema imunológico do corpo identifica erroneamente uma proteína alimentar como algo prejudicial (um “invasor”). Em resposta, o corpo libera substâncias químicas, como a histamina, que causam inflamação e uma série de sintomas.
Diferença Crucial: Alergia x Intolerância
Alergia Alimentar: Envolve o sistema imunológico. Mesmo uma quantidade microscópica do alimento pode desencadear uma reação grave (ex: alergia a amendoim ou camarão).
Intolerância Alimentar: Envolve o sistema digestivo. Ocorre quando o corpo tem dificuldade em digerir um alimento específico. Geralmente causa desconforto (gases, inchaço), mas raramente é fatal (ex: intolerância à lactose).
Os “Grandes Vilões”: Principais Causadores
Embora qualquer alimento possa causar alergia, a grande maioria das reações é causada por um pequeno grupo, frequentemente chamado de “Os 8 Grandes”. No Brasil, a legislação de rotulagem exige destaque para estes ingredientes:
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Leite de vaca (muito comum em crianças)
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Ovos
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Amendoim
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Castanhas (nozes, avelãs, castanha-do-pará, castanha-de-caju)
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Peixes e Crustáceos (camarão, caranguejo, lagosta)
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Trigo
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Soja
Como Reconhecer os Sinais: Do Leve ao Grave
Os sintomas podem aparecer minutos após a ingestão ou até duas horas depois. É fundamental observar não apenas a pele, mas o comportamento geral, especialmente em crianças que ainda não sabem falar o que sentem.
1. Sintomas Cutâneos (Pele)
São os mais comuns e geralmente os primeiros a aparecer:
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Urticária (placas vermelhas e elevadas que coçam muito).
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Inchaço nos lábios, língua, rosto ou ao redor dos olhos.
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Vermelhidão generalizada e coceira.
2. Sintomas Respiratórios
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Congestão nasal, coriza ou espirros constantes.
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Tosse seca ou chiado no peito (semelhante à asma).
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Sensação de aperto na garganta ou dificuldade para engolir.
3. Sintomas Gastrointestinais
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Náuseas e vômitos (frequentemente em jato).
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Dores abdominais intensas (cólicas).
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Diarreia.
4. Sintomas Cardiovasculares e Neurológicos
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Tontura ou sensação de desmaio.
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Pele pálida ou azulada.
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Queda de pressão arterial.
O Perigo da Anafilaxia: Quando é Emergência?
A reação mais grave chama-se anafilaxia (choque anafilático). Ela afeta o corpo inteiro e pode causar risco de morte se não for tratada imediatamente.
Ligue para a emergência (192 – SAMU) ou vá ao pronto-socorro imediatamente se notar:
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Dificuldade extrema para respirar (sensação de garganta fechando).
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Chiado no peito grave.
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Pulso fraco e rápido.
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Perda de consciência ou desmaio.
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Confusão mental.
Nota Importante: Se a pessoa alérgica já possui uma caneta de adrenalina autoinjetável prescrita pelo médico, use-a imediatamente ao primeiro sinal de anafilaxia, antes mesmo de chegar ao hospital.
Diagnóstico e Tratamento
Não tente adivinhar ou fazer autodiagnóstico. Se você suspeita de uma alergia alimentar, o caminho correto é procurar um médico alergista/imunologista.
O diagnóstico geralmente envolve:
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Histórico Clínico: Detalhes sobre o que foi comido e a reação.
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Testes Cutâneos (Prick Test): Pequenas quantidades de alérgenos são aplicadas na pele.
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Exames de Sangue: Para medir a presença de anticorpos IgE específicos.
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Dieta de Exclusão: Retirada do alimento suspeito sob supervisão médica.
Existe cura?
Atualmente, não existe cura definitiva para a maioria das alergias alimentares, embora muitas crianças superem alergias a leite, ovos, trigo e soja com a idade. O tratamento principal é a exclusão total do alimento causador da dieta.
Dicas Práticas para o Dia a Dia
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Leia sempre os rótulos: A lei brasileira obriga o destaque de alérgenos após a lista de ingredientes (ex: “ALÉRGICOS: CONTÉM LEITE”).
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Cuidado com a contaminação cruzada: Em casa, use utensílios separados para preparar a comida do alérgico. Em restaurantes, sempre avise o garçom e o gerente sobre a alergia.
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Tenha um plano de ação: Se você ou seu filho tem alergia grave, tenha sempre um kit de emergência e orientações escritas sobre o que fazer em caso de ingestão acidental.
Aviso Legal: Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de sintomas, procure um especialista.





















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